—Se fôr... quebro-lhe a cara—atalhou Leonardo, enfuriando o olhar suino e grifando as unhas.

—Cala-te ahi, lorpa!—bradou Joaquim José.—Olha que eu prendo-te nas aguas furtadas se me dás um pio a este respeito! O que se ha de fazer é mostrar-se a gente muito satisfeita; e, se eu vejo Rosa a chorar, dou-lhe duas bofetadas na cara.

—Ella não chora...—interveio o filho Roque, varão prudentissimo que estivera a malucar taciturno.

—Não? como sabes tu isso?

—Sei, porque ella não gostava d’elle nada. Se casava, era para ser rica... as outras fazem o mesmo...

—Pois sim; mas agora? Vocês verão que homem rico não n’a quer nenhum dos que souberem da tratantice do outro!... Raça de judeu, e basta!

N’este ponto, começaram a entrar dois amigos do logista, com as caras de lucto. Joaquim José recebeu-os com alegre sombra, fingiu ignorar a novidade, e dissimulou indifferença tão habilmente, que vingou mallograr a secreta satisfação com que os «amigos» lhe davam o golpe.

CAPITULO X

Argumento

Desafogo de Rosa com o «Ponha aqui o seu pésinho». Encontram-se no theatro as duas familias. O que elle sentiu quando viu Rosa tentadora como o peccado. Louvores do Fayel exprimidos no chuveiro de lagrimas das velhas. Innocencio chama tola á esposa. Roque de Barcellos lancéta o coração de Innocencio e conta-lhe tudo com intenções damnadas. Gervasio acalma o filho, e diz coisas escorreitas das mulheres com o tino e siso de um Balzac. Innocencio a rir-se no camarote para «metter ferro» a Rosa. A sangoeira da tragedia que inunda de prantos a familia Barros. De como Gervasio presume que o traductor da peça é um sabio que inventou a tramoia, e decide que Fayel era da pelle do diabo. Torna Innocencio a estorcegar o braço da mulher á conta do Costa Guimarães.