—Sim, sim, ella está lá por cima—abreviou Gervasio, fechando-lhe a porta na cara.

Subiu Custodia e encontrou n’um corredor a filha da senhora, creada aos seus peitos. Lançou-se a ella, suffocada de soluços, beijando-a e molhando-a com a torrente das lagrimas.

—Adeus, até ao dia do juizo, minha filhinha!—foram as unicas palavras que poude proferir, porque perdeu o alento nos braços da senhora.

Thomazia sentou-se no pavimento e deitou-a no regaço, bafejando-lhe as mãos regeladas. N’esta postura a encontrou o marido. Parou, e disse carrancudo:

—Que historia é esta?!

A esposa não respondeu e continuou a aquecer com a fricção das suas as mãos da criada.

Passou Innocencio adeante e chamou as tias, mandando-as conduzir Custodia para as aguas-furtadas.

Acudiram as senhoras todas, ainda ignorantes do successo; que Gervasio apenas tinha segredado a sua mulher que a tal santinha de Custodia era uma desavergonhada de mão cheia.

Thomazia disse ás senhoras que a velhinha estava fria de morte.

Pegaram n’ella e conduziram-n’a ao leito. Agitaram-n’a, chamaram-n’a, deram-lhe um pediluvio de agua espertada com mostarda, e borrifaram-lhe a cara com vinagre. Não dava signal de vida a pobre Custodia.