Não ir, porém, seria desobedecer ao homem que respeitava como pai, e ennegrecer aos olhos d'ella a candura das suas intenções.

Foi; e o leitor, se é curioso, póde espreitar commigo a scena que vai passar-se na sala do coronel.{158}

IX.

Vasco entrou na sala, encolhido, como se o frio o arrepiasse. Não viu alguem, e parou, ao segundo passo, com as mãos juntas na aba do chapéo, e os olhos fitos na porta por onde havia de entrar o coronel.

A porta abriu-se, e Vasco estremeceu. O pai de Leocadia, com a mão direita estendida ao hospede, e com a outra indicando-lhe o canapé, entrou, affavelmente encarado, como Vasco o não vira nunca.

«Sente-se aqui, snr. Vasco, e conversemos como dous rapazes, ou como dous homens velhos—disse o coronel, apertando um cigarro, e offerecendo outro ao mancebo.—Já toma o seu cigarrito? A apostar que sim?

—Não senhor, não fumo.

«Pois admira! Este sujo prazer de soldados e marinheiros começa a ter boa hospedagem nas classes mais limpas da nossa sociedade. Por ahi, a mocidade, apenas deixa o guizo que lhe deu a ama de leite, pega do cigarro, e aprende logo a resfolegar o fumo pelo nariz. É o tom, dizem elles, desde 1820 para cá. Parece-me que esta geração{159} sahida do ovo, e a outra que está no chôco, hão-de ser, meu caro senhor, uma cousa assim a modo de nabal espigado. Não sei se me entende: quero dizer que a seiva forte de nossos pais, em vez de medrar as vergonteas, produzindo flores e fructos, cada cousa em tempo proprio, dará fructos temporãos, bichosos, desses que passam sem termo medio do verde ao podre. Não acha?

—Ha-de haver, como sempre, o bom e o mau, penso eu—disse modestamente o moço.

«E pensa bem para a sua idade. Os vicios são de todas as épocas, mas o do cigarro é muito moderno entre nós, ha-de confessar!