—Mas eu sou feliz, morrendo. Tenha pena de mim, se eu continuar a viver. Deus acceitará na sua presença um filho que nunca desgostou sua mãi, nem aos de fóra causou damno sabendo que o causava.

«Jesus!—interrompeu a mãi arrependida da sua exaltação—estás-me matando com a serenidade das tuas palavras! E porque has-de tu morrer, meu pobre menino? Cuidas que não tem cura lançar sangue? Tem, meu filho, tem. Teu pai viveu assim trinta annos, e tuas manas, que Deus levou, se tomassem os meus conselhos, se não fossem as imprudencias dos bailes, recuperavam a saude... Choras por te vêres tão cedo ás portas da morte? Tens razão, meu querido filho; mas não te assustes; verás que o sangue cessa; vamos aos ares do campo; o que tu precisas é descanço. Não leias mais, pelo amor de Deus; não recebas o ar fresco da noite; não tornes a comer fóra d'horas, nem andes a passear no teu quarto até ser dia. Promettes isto tudo á tua afflicta mãi?

—Sim, minha senhora, prometto tudo.

«Com que desalento me respondes, Vasco. Esse teu sorriso é muito triste... antes quero vêr-te chorar.

—E eu tambem queria chorar... tambem!...

«Tu escondes-me o teu coração, Vasco. Tive agora um raio de luz... Dizes-me tudo, filho?

—Tudo... tudo, minha santa amiga, ainda que m'o não pergunte.

«A mim disseram-me que a filha do coronal Gervasio te trazia enganado...

—Por quem é, minha mãi!—atalhou elle com as faces instantemente abrazadas—Leocadia é incapaz de me trazer enganado! Quem tal lhe disse, calumniou-a cruelmente...{175}

«Pois antes assim, meu filho: mas sempre é certo que vos amaveis?