—Sim... é desgraçadamente certo que nos amavamos.
«Não te afflijas, Vasco... Eu hei-de dizer o que ouvi. Disseram-me que ella estava destinada para um filho da madrasta.
—Destinaram-na, minha mãi... Que culpa tem a infeliz de que vendessem o seu coração? Ella não sabia que estava vendida. Cuidou que podia amar-me, e por fim...
«Diz, Vasco... prohibiram-na de fallar-te?
—Vai ser casada, disseram-lh'o hontem...
«E ella acceita?...
—Se acceita!... a morte das mãos de Deus, como eu lh'a peço. Ha-de ser entregue ao marido como um corpo sem alma, um cadaver... O coração é meu, morre commigo... Vou bem pago de tudo que soffri e hei-de soffrer... que, já agora, pouco será; mas o que tenho curtido calado, e docil á desgraça, foi muito, minha querida mãi, só Deus sabe o que foi. A minha Leocadia morre... e então verá se ella não era digna d'este amor que me mata.
«Jesus! tanto fallar de morte, filho! Fallemos da vida; procuremos remedio, que o ha-de haver.
—Nenhum.
«Pois nenhum?! ella já está casada?!