—Não está; mas o mesmo é estar casada, ou sêl-o ámanhã ou depois.

«Olha, filho, lembra-me ir fallar ao coronel...

—Sou pobre, minha mãi... Poderá v. exc.ª dizer ao coronel que me dá um bom patrimonio?

«Não, infelizmente, não; aqui é tudo d'um só, tu bem o sabes... essa dôr cá a tenho como um espinho cravado no coração. O meu melhor filho, o anjo que nunca me deu um pesar, não tem nada, e nada póde haver do amor de sua mãi!... Que barbaras leis, justo céo! O que{176} os homens fazem! De todos os filhos que rodeam, á hora da morte, o leito de sua mãi, só um é rico, os outros... ficam á mercê do seu proprio trabalho, ou das sopas do irmão, que é sempre o mais ingrato...

Vasco obstou á continuação dos soluços que embargavam estas palavras, com meiguice, tirando-lhe as mãos da face.

«Isso agora a que vem! Não chore, que me faz mal. Eu não desejo a riqueza de meu irmão mais velho; queria alcançar uma mediania pelo meu trabalho, porque bem pouco me bastava a mim, e a ella, e a minha mãi, se Deus nos ajuntasse todos... Agora, nada desejo, porque sou de mais n'este mundo; houve uma força superior que destruiu a minha felicidade; não acharei outra... que faço eu agora aqui?!...

—Espera, filho... se eu dissesse ao coronel...

«O que, minha mãi?!

—Que sua filha viria para nossa casa como tua esposa...

«Está a querer tirar á força do seu coração esperanças para me dar... não estando ellas lá, minha mãi! É irremediavel... Não nos deixemos enganar, porque a realidade negra está perto de nós. É tarde para pensar nos meios de mudar a vontade do pai de Leocadia. O homem rico a quem a deram, já está com ella. Chegou hoje, e ella ainda hontem soube que não era senhora da sua alma. O coronel chamou-me, e disse-me: «faça que minha filha me obedeça; ajude-me a encaminhal-a ao destino que lhe dei; lembre-se que eu me sacrifiquei a uma mulher aborrecida, para assegurar a minha filha um futuro, casando-a com o meu enteado.»