—Porque entre nós ha só de commum a confidencia d'algumas horas, a confidencia que não modera os impetos d'um desgraçado amor...
«Oh! não diga, não diga isso outra vez...—atalhou{206} Leocadia pondo-me a mão nos labios—Tenha pena de mim... Chame-me sua irmã, senão arrependo-me, sinto o primeiro remorso da minha vida...
Beijei-lhe a mão, e murmurei:
—Até ámanhã.
«Sim? até ámanhã? quem sabe se nos veremos! De um momento para o outro posso ser mudada... E eu queria, meu irmão, queria acabar hoje a minha historia. Não sei que presagio me diz que não teremos outra noite assim... Mais alguns minutos... diz-se depressa o que falta... Quer?
—Diga, diga, Leocadia; mas faça um juramento.
«Juramento! qual?
—Qualquer que seja o seu destino, se tiver vida, se tiver um instante seu, lembre-se de seu irmão, escreva-lhe uma palavra, uma só «vivo» só isto... jura?
«Prometto, meu amigo, e não faltarei... E se lhe disser «morro» é que Deus me chamou para ao pé de Vasco...
—Sim, sim, falle-me desse infeliz que a chama, desse amigo que a minha imaginação contrahiu... Morreu, sim?... e que morte!...