«Eu quasi que o vi morrer.
—Viu?! É horrivel, meu Deus!
«Foi assim. Oito dias depois da morte de meu pai, Francisco de Proença perguntou-me se eu queria ir para o campo. Entreguei-me á sua vontade. Minha madrasta desejava sahir de Lisboa, para desafogar da sua saudade. Fomos para uma quinta entre Cintra e Collares.
«Estavamos ahi havia um mez. Thereza, a meu pedido, escrevêra para Lisboa a quem a informasse de Vasco. Disseram-lhe que elle e a mãi estavam a ares em uma das quintas. Eu pedia por elle a Nossa Senhora todos os dias, muitas vezes, e com immensa fé.
«Uma tarde, Francisco de Proença fôra á caça, e eu fui com Thereza passear para a banda de Collares. Havia no caminho uma azinheira, um sitio que respirava saudade,{207} entrei por alli dentro, e fui ter a um portão de quinta, que tinha uma grande arvore. Sentei-me áquella sombra, vendo cahir as folhas, e comparando-as á queda de tantas, de todas as minhas esperanças. Estava assim absorvida, bebendo as doçuras do meu fel, quando o portão se abriu. Estremeci... Era um padre que sahia... o padre capellão de D. Maria Maldonado!
«Elle fixou-me com espanto, e apenas me cortejou; esteve um pouco a olhar-me, e disse:
—A menina não é a snr.ª D. Leocadia?
«Sou, sim, senhor.
—Então que faz por estes sitios?! disse elle admirado.
«Vim a passeio... Moro n'uma quinta perto d'aqui.