Desde criança, merecêra pelas suas escaramuças sanguinarias aos coelhos, o cognome de «Attila de coelheira.»
Em Coimbra, chamavam-lhe o chevalier sans peur et sans reproche.
A sua principal mania era o brasão. Estava apparentado com as primeiras casas da monarchia, por um tal Egas, filho de Mem, neto de Fuas, e bisneto de Ruy que{210} acompanhára D. Henrique a Cárquere, a cumprir um voto d'uma perna torcida.
Depois, e em consequencia d'esta mania, tinha um requinte de brios que lhe custou muito puxão d'orelha.
Desafiava a espadão todo o mundo, e quiz mandar um cartel a um doutor octogenario que o reprovou em mathematica.
Na primeira carta a um namoro que tivera assignava-se o commendador Francisco de Proença. A menina riu-se, e o fidalgo, no adro d'uma igreja, perguntou-lhe se os trabalhos da cozinha a não deixaram responder.
Tinha destas cousas.
Os seus bens de fortuna não eram o que elle precisava que fossem para sustentar o seu orgulho.
Aceitou a mão da filha de seu padrasto, porque a paixão o acolheu de subito. Leocadia, com o seu desdém, pisára-lhe a soberba. Proença foi vencido pelo desprezo.
Sua mãi, de mais a mais, dissera-lhe que Leocadia era a presumptiva herdeira de dous tios millionarios que tinha na America.