—Acaba depressa com isto!—interrompeu o meu amigo—Vêr-vos, não vêr-vos, amar-vos, e vêr-vos, e não amar-vos... que diabo de embrulhada é esta!?
«Tu és um tolo!—redargui eu—Está explicado o segredo da tua nullidade perante as mulheres. Tens trinta annos, e todas as tuas conquistas reduzem-se á filha do chapelleiro de Braga. Podias ter um nome em Portugal, se ao teu patrimonio, quasi dissipado, e á tua excellente figura, quasi em decadencia, juntasses um pouco de estylo. Todo a conquistador deve ter um arsenal bem fornecido de bombas phraseologicas. A idéa não é que persuade{30} uma mulher, é a palavra. O que tu chamas embrulhada, meu patavina, é o melhor que se póde dizer quando não ha nada que se diga.
—Suppomos—-replicou elle—que esta mulher não me entende?
«Certo disso estou eu.
—O que se segue é não me responder, porque receia que eu me ria da sua ignorancia.
«É justamente o que te convem, tolo.
—Que me convem!
«Sim; convem-te que não responda, porque não respondendo, falla-te. Que lucras tu com a correspondencia epistolar desta mulher?
—Parece-me que pensas bem!... Tu és um grande homem! Ora anda lá, diz mais alguma asneira.
«Onde estavamos nós?