«Não, minha senhora... Eu parece-me que não sirvo para a vida ecclesiastica. Meu pai quer que eu seja frade Bernardo; mas eu... acho que não se póde ser bom frade, quando se fazem versos.
—Pois o senhor é poeta?
«Tenho minha tal ou qual inclinação para isso.
—Ha-de dar-me uma amostra da sua musa. Tem algum poema escripto na Foz, cantando o Neptuno, e as deusas do mar?
«Ainda não escrevi nada sobre Neptuno; mas se v. exc.ª ordena, farei uns versos a esse assumpto. Hoje escrevi eu umas quadras e um soneto, que deixei em casa.
—Deixou em casa? que pena! Não se lembra de alguns versos?{50}
«Não, minha senhora.
—Qual foi o motivo?
«O motivo... o motivo...—gaguejei eu, esfregando os dedos da mão esquerda na palma da mão direita—O motivo... bem sabe v. exc.ª qual foi...
—Eu!... não sei! Talvez a bravura com que o senhor salvou a minha cadellinha!...