Aproveitámos tambem a occasião para visitar o chefe Chincoco, feudatario do Chanquaniquire, avisal-o da submissão do seu suzerano, e obter a sua annuencia e promessa de inteira obediencia e lealdade para com o governo portuguez. Esta submissão pessoal do Chincoco tinha para nós maior importancia por ser este vassallo do Chanquaniquire indigitado como successor do regulo do Unde, isto é, futuro soberano da Maravia oriental.

Firmadas as nossas excellentes relações com o Chincoco, partimos para o norte em direcção á aringa do Catumba, tributario já do Mpesene, comquanto as suas terras façam parte da Maravia oriental, e paguem tambem imposto a Unde.

D'elle alcançámos que promettesse deixar caçar nos seus territorios os subditos portuguezes, sem lhes pôr impedimento nem mesmo lhes exigir o dente da terra; obrigando-se mais o potentado a proteger e auxiliar, quanto fosse necessario, os nossos correios que atravessassem os seus dominios no transito entre Tete e os estados do Mpesene.

Catumba tem a sua capital no cume de uma elevada e quasi inaccessivel montanha, Chingilisia, que domina toda a vasta e fertil planicie circumvizinha; é ponto de superior importancia estrategica, e certamente um dos primeiros a occupar para quem pretenda ter segura posse dos valiosos territorios que se estendem até aos confins dos estados de Mpesene.

Em 14 de julho de 1888 entravamos em Matengulene, capital do Mpesene, e faziamos fluctuar ali, pela primeira vez{7} desde que a dominam zulus, a bandeira de um paiz civilisado, a bandeira portugueza.

Esperava-nos excellente recepção por parte do poderoso rei e dos seus indunas, principalmente do meu velho amigo Cassamba-Moropa, que ainda encontrámos no exercicio do seu cargo.

Mpesene acceitou com reconhecimento a bandeira portugueza, que logo fez arvorar, e firmou comnosco um tratado de vassallagem datado de 20 de julho, em que o chefe zulu se obriga a manter abertos os caminhos para o Zambeze, e a cessar as suas continuadas correrias, que assolavam o paiz marave, com grande prejuizo do commercio.

Em diversos e successivos documentos confirmaram os filhos de Mpesene a obediencia do pae á corôa portugueza; por vezes se repetiram, com intervallo de muitos mezes, as solemnes declarações do potentado indigena, que até mais de uma vez aproveitou a presença de um viajante estrangeiro, o subdito britannico Alfred Sharpe, para assignalar bem a estreiteza das suas relações com as auctoridades que a expedição de meu commando representava.

Numerosos documentos attestam e confirmam, pela presença de varias testemunhas, a fidelidade do Mpesene, dos seus filhos e dos seus grandes.

Para deixar perduravel impressão no animo do chefe zulu, e tomar posse, por assim dizer, das concessões que elle fazia, não bastava uma simples visita e a conclusão de um tratado; por isso a expedição resolveu permanecer ali durante bastantes mezes, e construir um estabelecimento com um caracter permanente, que serviria de quartel general, verdadeira base de operações de onde deviam irradiar as explorações que em diversos sentidos se foram emprehendendo, e que nos permittiria vigiar de perto quaesquer tentativas que podessem fazer-se para subtrahir aquelles territorios á influencia portugueza.