75 Descripçaõ da roda de ferro aa [Est. I], fig. 5, he o meio da roda, que tem a pequena roda bb, em alguns lugares se chama gimble, sobre o qual está a obra cc, em que se trabalha. No meio aa, se ajuntaõ os raios da roda dd, que saõ de ferro. Nesta figura só se vem dous; porém a roda tem seis, como se vê na figura 16. Estes raios vem dar em hum circulo de ferro, ou ambos, cuja grossura só se vê aqui representada pela linha ee; o meio aa, diminue de grossura em ff, e ainda mais em gg, esta parte, que he cylindrica, e pontuada na figura, he recebida por hum buraco em hum grosso pedaço de páo g, que fica bem seguro por huma cruz de páo hh, e pelas prisões ii. Em primeiro lugar he preciso conceber, que o meio aa, a parte ff, e o cylindro pontuado g, saõ tomadas em hum mesmo pedaço de páo; em segundo lugar que a parte cylindrica pontuada he recebida em hum buraco fundo, que está no centro do pedaço de páo g, no qual póde virar; que este cylindro pontuado, que tem a parte ff assim como este que nos temos chamado o meio aa, por cima do qual está a pequena roda bb, sobre a qual está a obra cc. Aqui se vê, que os raios dd, saõ obliquos, de sorte que por suas revoluções, formaõ hum conico cortado em aa; K saõ as pequenas mesas, que estaõ em roda do obreiro, em que elle põe as bolas de barro, de que vai fazer as obras, e as mesmas obras depois de feitas, huma gamela com agua, hum calibre de ferro ordinariamente, a que chamaõ atelle L, he huma taboa inclinada sobre a qual se assenta o obreiro. Tudo isto se tornará mais claro lançando os olhos sobre o plano perspectivo fig. 17.
76 A he o meio da roda: b a pequena roda, que sustenta em si a obra c, na qual se trabalha: d, os raios da roda ee, cambas da roda: f a parte cylindrica do meio, por baixo do qual fica a que está pontuada na fig. 1, perto de g: h a taboa que esta segura aqui por huma massa de gesso: k as mesas pequenas, sobre que se põe a obra logo depois de feita: l, a taboa inclinada, em que se assenta o obreiro: m, taboas grossas inclinadas, que tem entalhes profundos, em que os obreiros põe os pés como se vê fig. 16, e 17; estas especies de assento para os pés se chamaõ poiaes: n saõ as obras já acabadas: o, bôlos de barro para fazer outras obras: p, os pilares, ou pés direitos, que sustém as mesas k, l.
77 A figura 16 representa a mesma maquina vista em plano, e virada para se poder ver a roda por baixo: g, a parte cylindrica, que entra em hum buraco fundo feito na peça g: f, parte cylindrica mais grossa; aa, o meio da roda aonde se ajuntaõ os raios d: ee, a camba: p saõ os encaixes destinados para receber os pés direitos que sustem as mesas k, e o assento l: m, lugar de pôr os pés.
78 Nos campos muitas vezes he de páo, tudo o que aqui se representa de ferro; neste caso a camba da roda he muito grossa: para que com o seu peso conserve por mais tempo o movimento, que o oleiro lhe imprime. Como ellas saõ menos perfeitas que as de ferro, escuso entrar em individuações a seu respeito.
79 Para se trabalhar sobre esta roda, he preciso imprimir-lhe hum movimento circular rapido, com hum páo a, [est. II], fig. 4, que se chama virador. Vê-se nesta fig. 4, hum obreiro disposto para pôr a roda em movimento; está sentado no assento l, os pés estaõ nos entalhes dos lugares de ter os pés m; e com huma ponta do virador a, toca em hum raio de roda para a fazer andar, e imprimir-lhe hum movimento circular, que ella conserva bem tempo para o obreiro, fig. 5, poder formar hum vaso.
Do torno, ou roda, que os oleiros de obra grossa tomáraõ dos de obra fina.
80 Esta roda a, fig. 18, [est. I], he de páo, e tem de grosso tres ou quatro pollegadas, para que o maior peso lhe faça conservar o movimento mais tempo; ella he atravessada por hum eixo de páo, ou de ferro b, que finda por baixo da roda em hum mancal: este eixo passa ao nivel da mesa por hum colar, e tem na sua extremidade superior huma roda pequena c, sobre a qual está a obra d; o obreiro h, estando assentado hum pouco obliquamente sobre a taboa inclinada i, tem muitas vezes as pernas ambas do mesmo lado de sorte, que o eixo b, lhe passa por detraz da perna esquerda; muitas vezes tem as pernas abertas, e o eixo lhe passa pelo meio, estando os pés apoiados, e o esquerdo fica na travessa g, da mesa: f, he huma gamella com agua: tendo o obreiro o pé esquerdo sobre a travessa g, apoia o pé direito ligeiramente sobre, a roda e empurrando-a para diante lhe imprime hum movimento circular, que se communica a roda pequena c, sobre a qual está a obra d. Como esta roda naõ vira taõ veloz, quanto a de ferro, o obreiro póde formar a sua obra com mais regularidade, e póde accelerar-lhe o movimento, ou retardarllo conforme lhe parecer, e paralla mesmo quando quer: o que se naõ póde fazer com a roda de ferro.
81 Quando o obreiro tem as pernas ambas do mesmo lado, se tem a direita cançada, póde tocar a roda com o pé esquerdo: algumas vezes para tocar a roda mais ligeira se vale de ambos os pés para a tocar.
82 Ha alguns oleiros Alemães, que tendo o eixo b, entre as pernas, se servem de ambos os pés; mas he preciso entaõ, que o pé direito toque a roda para diante, e com o esquerdo a puxe para si: com o uso se vem a facilitar este movimento dos pés em sentidos contrarios.