289 Fazem-se á parte batoques para os registros, e portas para fechar as aberturas; escolhem-se em hum numero que ha de differentes tamanhos, as peças, que servem: isto he facil; porque, como se fazem de cantos, ou quadradas, servem nas aberturas, que se fizeraõ no forno.
290 Os fornos grandes se fazem de muitas peças. O cinzeiro a, a fornalha b, e o laboratorio c saõ formados da differentes peças, que se ajustaõ humas sobre outras com encaixes. Como estas peças devem ser todas iguaes por medida, para ajustarem humas sobre as outras, os oleiros logo que fazem o cinzeiro as medem exactamente o seu diametro por cima com hum compasso, e riscaõ esta medida em huma meza, e em cima formaõ a peça c, que deve ajustar por cima; deste modo o barro encolhe com igualdade, e as peças se ajustaõ bem, depois do barro ter tomado consistencia se aparaõ, e aperfeiçoaõ os encaixes, e se põe as peças humas sobre outras, e se batem com a taboinha, de sorte que o forno parece ser de huma peça só.
291 Depois de começado hum forno, se precisa acabar sem parar; porque o barro humido naõ se liga com o barro secco, e este já teria encolhido; e por isso, sendo preciso parar com a obra, se deve cubrir com pannos molhados por naõ seccar.
292 Quando se acaba o forno, se devem fazer em roda, e em differentes alturas rasgos fundos, para se passar hum fio de arame grosso, que abrace toda a circunferencia do forno, em cada hum destes rasgos; porque isto ajuda muito a conservar os fornos.
293 A abobada, que se deve pôr sobre o forno como já disse, tambem se faz a maõ e sem moldes, ajustando rolos de barro mais finos, do que os do corpo do forno, huns sobre os outros; começa-se por hum traço de compasso que mostra a largura de cima do forno, aonde se deve pôr a abobada; e para o barro se poder suster toma-se de algum, que se amassasse mais duro; e em geral o barro, em que trabalhaõ os forneiros, he mais duro, do que o dos outros oleiros.
294 Algumas vezes, em quanto o barro naõ está ainda muito duro, com moldes lhe imprimem varias molduras para adorno dos fornos.
295 Os fornos de cadinhos se trabalhaõ do mesmo modo que este, de que acabo de fallar, tudo he a maõ; e sem usarem de regua nem compasso, lhe daõ huma figura muito regular: só o cadinho deve ser trabalhado por differente modo: delles fallarei, quando tratar dos cadinhos.
296 Fazem tubos, para descarregar a fumaça, com o mesmo barro dos fornos, e os formaõ com hum cilindro de páo, que he mais grosso em huma ponta do que em outra para poder-se tirar o molde, depois do tubo feito, e para o barro senaõ pegar ao páo, esfregaõ em cinza muito fina. Assim que o barro do tubo ficou alguma cousa duro, batem-no com a taboinha para alizallo, e fazello mais compacto.
297 Os oleiros fazem os cadinhos na roda, e os forneiros as fazem a maõ em huma especie de torno de páo, que elles chamaõ molde, c d, fig. 22, [est. I].