“Ninguem tem a honra de possuir uma vida que seja exclusivamente sua. A minha vida é a vossa; a vossa vida é a minha; vós viveis o que eu vivo; o destino é um só. Tomai este espelho e mirai-vos n’elle. Queixosos ha dos escriptores que dizem—eu. Falai de nós,—bradam esses. Por Deus! Quando falo de mim, falo de vós. Como não o sentis!? Ah! quão insensato és se julgas que eu não sou tu. Este livro contem tanto a individualidade do autor como á do leitor. Homo sum.”
Não careço explicar que entre esta concepção da identidade humana e a do personalismo na arte nenhuma antinomia existe.
Somos todos fundamentalmente irmãos, com faculdades equivalentes, sujeitos em perfeita igualdade á acção de inflexiveis leis physicas e moraes. Mas, dentro da orbita da unidade generica, as individuações se manifestam, as aptidões variam.
Artista é o que sabe concretisar estethicamente os fructos da sua superna aptidão criadora.
Assim, em que peze aos meus illustres aristarchos, persistirei em guardar completa independencia com relação a themas e a pronomes, embora sobre mim attraia esse proposito abominaveis epithetos. Tomei, de ha muito, Job como meu mentor, em meio dos successos de nosso caro Brazil.
O meu estylo soffreu tambem duros reparos.
Arguiram-n’o de truncado, telegraphico, desigual, inçado de orações ellipticas.
Que fazer? Infelizmente, não se me depara por emquanto outro melhor.
Apezar de todas as suas mazellas, consigo com esse estylo externar o meu pensamento, tornando-me entendido da maioria dos leitores. Isso me basta. Valha-me a intenção de buscar maxima clareza e concisão seguindo a regra estylistica formulada por Spencer:—poupai o tempo e a attenção de quem vos lê.