Emquanto na turbulenta Coimbra, outr’ora tão pacata, capuletos e montecchios se crivam com dardos envenenados, Romeu e Julieta, ao revez dos amantes de Verona, continuam distanciando-se cada vez mais, de corpo e de espirito. Elle, curando a cicatriz que, mau grado seu, lhe ha de perpetuar a memoria com ridiculosa fama. Ella professando em Santa Clara, abafando no habito cinzento rancores ou despeitos, e porventura afogando em lagrimas ainda vestigios do seu amor desprezado!
SOROR VIOLANTE DO CÉO
SUMMARIO
Viola, instrumento e flôr—No seculo Violante Montesino. O seiscentismo portuguez. As musas—Violante comediographa. Trocadilho e galanteio—A paixão da poetisa.—A sua profissão. As cellas das freiras preciosas. Uma suspeição injuriosa. Rythmas e Soliloquios. A velhinha do Convento da Rosa.
«Viola, instrumento e flôr!»
É assim que a ella se dirige um Doutor seu contemporaneo, recitando-lhe alguns versos lamechas, todos rescendentes ao gongorismo, ainda então em moda na litteratura e nas salas.
Esse Doutor thuribulario, e, ao que parece, levemente emprehendedor no seu galanteio, cortejando a poetisa, que desabrochava no pleno irradiar da mocidade, e jogando n’um trocadilho com o nome suave de Violante, allude, com intenção, á belleza recatada da musa, formosa como as violetas, e ao seu estro, harmonioso como as violas d’amor. Não foi d’ella bem acceite.
Respondendo de improviso ao atrevido poetrasto, n’uma decima, que o deve ter deixado estarrecido, a esquiva rapariga termina assim: