N’um extasis exclama ella de uma vez:

Que suspensão, que enleio, que cuidado
É este meu, tyranno Deus Cupido?
Pois tirando-me emfim todo o sentido,
Me deixa o sentimento duplicado.


Depois começamos a sentir o latejar offegante do seu inquieto amor, quando a invade o ciume. E então despreza as consolações dos parentes e amigos que, com raciocinios cansados e sempre servidos n’estes casos, tentavam desviar-lhe o sentido da obcessão sentimental em que vivia. Os paes, vendo-a estiolar-se, ou ir-se deixando morrer, chamavam em auxilio o physico da casa um esculapio encarregado (eterna illusão de pae!) de a chamar á vida, de lhe dar saude. Mas ella, n’um arranque responde a todos estes cuidados exclamando:

«Cessen ya los remedios
Que para vivir me applican,
Que quien de zelos se muere
No es bien que moriendo viva,
Dexen ya d’importunarme
Cansadas philosophias,
Que nunca males del alma
De Esculapio necesitan.


Muera quien amando tanto
Mereció tan poca dicha,
Que en vez de correspondencias
Experimente tyrannias.


Muera quien siendo constante
Fué tan mal correspondida,
Que tributando verdades,
Adquerió solo mentiras.

Com o assalto que lhe deu o ciume, a que um seu contemporaneo chamou «sarna de amor, que faz doer e gostar juntamente», adoeceu-lhe o espirito.