Ha dias recordei este episodio, lendo n’um jornal aquella admiravel auto-biographia legada a seu filho, em que, com uma tão elevada simplicidade e tanta grandeza de animo, Ramalho diz: «Fiquei para todo o sempre—intimamente o reconheço—um tanto frade e um tanto soldado. Ficaram-me de pequeno indestructiveis gostos de ordem, de disciplina, de solidão.»
E mais adeante accrescenta:
«O acaso fez de mim um critico. Foi um desvio de inclinação a que me conservei fiel. O meu fundo é de poeta lyrico.»
E é verdade! Aos seus instinctos, (por mais parodoxal que isso pareça), não repugnava a disciplina doutrinaria, nem ao seu espirito a ideia da completa absorpção de todo o ser no seio de Deus.
Sentia-se um soldado e um monge.
Mas na realidade era essencialmente um poeta lyrico.
UM BEIJA-MÃO DE ANNO BOM NO PAÇO D’AJUDA
SUMMARIO
A Côrte—Romaria de grande gala—Alguns personagens—No anno de 1891—O Rei doente—Tentativas de organisação de um ministerio—Martens Ferrão—A anecdota das perdizes—João Chrysostomo—O seu ministerio—Baptista de Andrade—Laudator temporis acti.