Se Aljubarrota tem a illustral-a pittorescamente Brites de Almeida, a denodada padeira, e a sua lendaria proeza, não é menos digno de registo, no livro de ouro da epopéa joannina das luctas pela independencia, o feito mais authentico e mais significativo de Ignez Negra a heroina de Melgaço.
NOTAS DE RODAPÉ:
[1] Ainda hoje, emquanto isto escrevemos, (Agosto 1917), a villa conserva algumas d’essas viellas de pittoresco aspecto, e é, em parte, cintada com as veneraveis muralhas que tanto a enobrecem.
Consta-me, porém, que o municipio, com a deploravel mania de «modernizar», vicio incorrigivel das nossas edilidades, umas boçaes, outras mal orientadas, está attentando criminosamente contra a magestade da sua terra, dilacerando-lhe os vetustos flancos para «fazer dinheiro» e colher materiaes destinados a um edificio publico! Um tribunal, segundo me informam, que será provavelmente semelhante ao matadouro com que já se orgulha! Uma lastima! Se alguma entidade ha, que possa impedir o sacrilegio, accuda breve a afastar esta vergonha de Portugal.
OS AMORES DO SENHOR DOM JORGE
SUMMARIO
Os dois filhos de D. João II—Idyllio do Principe D. Affonso—O bastardo D. Jorge—A posse dos mestrados—Projectos de seu Pae—Morte de D. João II—Viagem de El-Rei D. Manoel a Castella—A Perigosa—Enxame de poetas, e adoradores. Casamento do Senhor Dom Jorge—O drama de D. Guiomar, filha do Conde de Marialva—Viuvez de D. Jorge—Paixão senil—D. Maria Manoel.
Encontrámos já por vezes, no decurso d’estas palestras, ou seja nas Donas de tempos idos ou na Gente d’Algo, a figura curiosa, embora apagada, do Senhor D. Jorge, Duque de Coimbra, Mestre de Santiago e de Aviz, nascido do idyllio de D. João II com D. Anna de Mendoça, nos bosques de Sernache do Bomjardim.
Mas, se o leitor sentir o inexplicavel antojo de acompanhar-nos em mais esta jornada, recordaremos juntos algumas occorrencias, e a aventura amorosa d’esse personagem, que esteve para ser Rei de Portugal, pelo desapparecimento do filho legitimo, o Principe D. Affonso, quando este, no areal de Almeirim, depois de arrastado pelo cavallo, se deixou morrer entre a noivazinha que a politica lhe dera, e a Rainha D. Leonor, sua mãe, que com esse filho via sumir-se a maior affeição que lhe tomava a alma.