D. Affonso e D. Jorge—os dois filhos do Principe Perfeito—tiveram destinos oppostos na esphera sentimental.
Ao passo que o herdeiro, condemnado por mofina parca a uma morte prematura, esboça precocemente com uma D. Branca o ephemero romance de amor, que teve a passageira duração de um sorriso e de uma lagrima, o Senhor D. Jorge só foi arpoado pela grande paixão da sua vida quando ia no declinar.
Segundo suppõe, e com bons fundamentos, o Sr. Anselmo Braancamp Freire, no seu livro «Critica e Historia», aquella Dona Branca, por quem se sentiu preso o primogenito de D. João II, era filha de Vasco Fernandes Coutinho, e portanto sobrinha do Conde de Marialva.
Captivou ella o coração do moço Principe, a ponto de ficar esse pequeno episodio amoroso celebrado nos versos do Prior de Santa Cruz, de D. João, camareiro-mór, de Pedr’Ome, de Nuno Pereira, e d’outros poetas aulicos, que em trovas dolentes o consagraram.
O «Cancioneiro Geral», de Garcia de Resende, deixa adivinhar a tristura dos dous namorados nas cantigas que têm como rubrica: «... pelo principe D. Affonso, quando casou D. Branca, com quem elle andava d’amores».
Começam assim:
«Lloran mys ojos
y my coraçon
Y con mucha razon.»
«Lloran my pena,
my mal non fengydo,
my dicha no buena,
tan lexos d’olvido
Morio my sentido
de biva passyon
con mucha razon.»
Depois Nuno Pereira accode, dizendo sobre o mesmo assumpto:
«Lloran dos vidas
con grande agonya,
la vuestra y la mya,
por seren partidas.»
Sente-se que houve uma mão de ferro a desunir os dous amantes, pois lá o diz Dom Martinho da Silveira nas trovas que fez «quando casou dona Branca Coutinho»: