Foi D. Diogo, filho do Marquez de Villa Real, quem lhe deu a alcunha com o celebre rifão:

«Nam s’espera outro rremedio
de quem vyr a periguosa
se nam vida douidosa.»

Accorreram á chamada numerosos versejadores e poetas palacianos que, em cantigas de louvor com mais ou menos metro, lhe exaltavam a belleza, lhe censuravam a altivez, ou se queixavam do seu rigor.

D. Nuno da Cunha referindo-se aos signaes que lhe apimentavam o rosto diz com intenção:

As duuidas, que nos days
cada ora em nossas vidas
eu as tinha bem sabidas,
senhora, em vossos ssynaes
Em vossos sinaes mortaes,
em que nam vi douidosa
minha vida periguosa.

Ao passo que D. Nuno, como vemos, era inspirado pelos provocantes lunares do rosto da Perigosa, João Fogaça, Védor da Casa d’El-Rei, exclamava com mais enthusiasmo que estro e que grammatica:

«Quem loouar e quem disser
muy grande verdade dys,
y nam se enguana,
que nam a hy ygoal molher
a senhora dona Briatys
de Vylhana
Polo qual nam ha rremedio
a cousa tam periguosa
nem ha molher tam fermosa.»

D. Affonso de Ataide, Senhor d’Atouguia, esse então, indo-se-lhe os sentidos só de encaral-a, dizia:

«Mas olhos y coraçam,
nesta vida duvidosa,
escolhem a mays periguosa!»

Tambem não faltou Garcia de Resende que lhe diz: