Quem na vyr, nam pode ver
se nam de ssy maao pesar,
poys tem çerto o padeçer,
y a pagua do perder
soo com ve-la se paguar.
Mas goay de quem ss’afastar
de ver cousa tam fremosa,
que seja tam periguosa!

D. Joanna de Mendoça, que supponho ser a futura Duqueza de Bragança, celebre pela formosura, entrou tambem com a sua cantiga:

«Por acudir ao rrifam
nam sey cousa que nam faça,
até confessar na praça
tudo o que nele vos dam.
E pareçe-me rrezam,
que poys soys tam periguosa,
nam sejays despiadosa.»

Fizeram tambem versos á perturbadora creatura Jorge Barreto, o Conde de Alcoutim, o Conde de Portalegre, o Barão d’Avito, D. Luiz de Menezes, etc.

Mas o que parece mais exaltadamente apaixonado é D. Diogo, filho do Marquez de Villa Real. Este tem no Cancioneiro uma longa poesia em oitavas na qual «se aqueixa comsigo mesmo» e que termina assim:

«meu tormento tam estranho,
que nam ha hy mal tamanho
que não s’acabe ou m’acabe.»

Logo a seguir n’umas trovas «A huma guedelha de cabellos que viu ha Senhora D. Beatriz de Vilhena» exclama:

«Cabelos de fremosura,
que me tanto namoraram,
ditosa minha ventura,
que sereys a sepultura
dos olhos que vos olharam.»


Foi esta rapariga, que á força de encantos se tornava perigosa, quem El-Rei D. Manoel e sua irmã a Rainha D. Leonor destinaram ao Duque de Coimbra.