Irão os leitores talvez conjecturar que, assim casada, ella veiu a dar n’uma das muitas malmaridadas de que rezam as chronicas coscuvilheiras. E imaginarão talvez que teve uma vida matrimonial tormentosa o consorte d’esta Duqueza tão rodeada de galanteios e paixões.

Mas, porque a natural altivez a defendesse, ou porque não fosse facilmente accessivel o seu coração, ou porque sinceramente gostou do marido que, embora de pequena estatura, era bem talhado, a verdade é que o Duque, que não lhe fizera versos, apesar de ter sido discipulo de Cataldo Siculo, e que não a assediára com declamações sentimentaes teve a sorte inesperada de ser querido pela appetecida de tantos, pela admirada de todos.

E a vida continuou a correr desannuviada para o Mestre de Santiago.

Administrava com cuidado a sua grande casa, e governava com tino as ordens militares o que não era uma sinecura, pois reunia com frequencia Capitulos, fazia ordenar Estados e definitorias (que ficaram conhecidos com o titulo de Estatutos do Mestre D. Jorge) e correspondia-se com a Curia para obter privilegios e regalias em favor dos Freires.

Ora em Lisboa, ora em Setubal, ora em Palmella, os Duques de Coimbra ostentavam grande estado, e gozavam de poderosa influencia.

Em 1508, quando El-Rei D. Manoel determinou ir soccorrer Arzilla, achava-se o Duque em Setubal. Apenas soube da intenção do soberano, aprestou numerosos navios, e, levando gente sua, correu a Tavira a juntar-se ás tropas reaes.

Não se realizou a expedição. Mas d’este caso resultou uma vistosa parada das forças de que dispunha o Duque.

Não foi maninha a formosa D. Beatriz. Deu ao marido oito filhos dos quaes o primogenito foi D. João de Lancastre, 1.º Duque de Aveiro e Marquez de Torres Novas de romantica memoria, que mais adiante encontraremos.

Foi tambem seu filho D. Affonso de Lancastre que veiu a ser pae do 3.º Duque de Aveiro.

E outros teve, entre os quaes D. Jayme Bispo de Ceuta que vieram a representar um papel curioso na opposição aos amores de seu pae.