Não negavam virtude a D. Maria Manoel. Mas a rapariga tinha dezasseis annos e o Duque quasi setenta...!

(Corvisart havia de dizer trezentos annos depois: «Aos setenta ha sempre filhos». Os dois Lancastres, menos cynicamente e com mais respeito, apropriavam-se do espirito d’esta formula.)

Com este enlace, diziam, corriam risco a saude e a vida do pae; era ameaçada a fazenda da sua Casa; e não seria decoroso dar-lhes por mãe quem podia ser filha de qualquer d’elles.

O Duque repelliu bruscamente a monitoria dos filhos. Havia de casar por força. Era uma paixão indomita, devastadora.

Disse-se então á bocca pequena que, de uma vez que D. Maria sahiu do Paço para ir a casa da mãe, o Duque a recebêra por mulher e lhe mandára depois ao Paço um escripto confirmando este acto.

E D. Maria ia-se sempre deixando adorar...

Mas agora já sentia tambem o amor proprio golpeado pelos enredos contra ella preparados.

Além d’isso a sua propria familia incitava-a a concluir o casamento.

Estavam as coisas n’este estado, e a intriga continuava fervilhando quando surgiu uma circumstancia que até ahi não occorrera á mente de ninguem—os dois noivos eram parentes em terceiro grau! Grande satisfação no partido do Duque de Aveiro que a esse tempo já estava casado com D. Juliana de Lara, filha do Marquez de Villa Real.

Enorme desprazer na familia da noiva que via assim retardado o almejado enlace.