O Duque porém não esmoreceu. Pelo contrario! Mostrou-se mais tenaz em proseguir no intento.
Então, pelos fins de Março, D. João III, que via o caso ir ganhando importancia e avinagrando-se, chamou-o á sua presença. Fallou-lhe como parente que prezava a dignidade da familia, e como Rei a quem cumpria zelar a boa ordem da Côrte, e o decoro nos seus principaes. Terminando, emprazou o mestre de Santiago a que desistisse da sua louca pretenção.
O arguido curvou a cabeça; agradeceu os conselhos e chegou mesmo a fazer promessas. Promessas com restricções mentaes (entenda-se) que depois havia de invocar para não obedecer. Tinha a attitude de um rapaz leviano na presença minaz de um pae severo. Mas... passados dias esquecia promessas e protestos e, levado pela impetuosidade do sentimento, declarava publicamente que já era casado com D. Maria por palavras de presente, e que mandára pedir ao Nuncio dispensa da affinidade.
Novo sobresalto do Duque filho.
Indignado El-Rei mandou chamar outra vez o Senhor D. Jorge. Reprehendeu-o severamente. E como as respostas d’este fossem confusas, ordenou-lhe que se retirasse para Setubal.
O velho apaixonado, roendo o freio, teve que ceder.
De lá, vencido, mas não convencido mandou, em Outubro, um recado a El-Rei.
Da linguagem embuçada d’esse papel, que se encontra nas «Provas da Historia Genealogica», e não póde deixar de ser authentico, de tal modo n’elle transparece o sentir do Duque, deduz-se que houvera realmente casamento.
Affirma mesmo esse papel que fôra em Janeiro.
N’elle se queixa do filho, que, com a opposição que fazia lhe ia encurtando a vida. E então, melhor seria, (dizia elle), morrer por ter casado, do que por motivo dos desgostos causados pelo Duque seu filho.