Essas duas cartas, em que a par da firmeza das expressões ha um certo resaibo litterario, demonstram que o Marquez, Dom Fernando, manejava com egual energia a espada e a penna. Aquella nas campanhas d’Africa em que se distinguira. Esta, nas horas de lazer do seu solar transmontano.

Na segunda carta relembra o Marquez que em Setubal o Monarcha lhe assegurara, que o Duque de Bragança casaria com sua filha Leonor, para com esta união acabarem as desavenças e «haver concerto» entre elle e D. Jayme.

Dos outros dois documentos apresentados por Luciano Cordeiro, é auctor o proprio Rei D. Manoel.

O primeiro é em fórma de Instrucções dadas a um secretario para as transmittir ao Duque de Bragança, seu sobrinho.

N’este papel datado de 5 de Outubro de 1520, D. Manoel trata dos projectos de casamento para sua sobrinha D. Brites de Lara.

N’elle se vê que o Duque pedira a ambicionada noiva, não para si, como o Villa Real suppunha, mas para seu filho, D. Theodosio, e vê-se tambem que El-Rei só consentiria n’isso, se não se fizesse o casamento com algum dos Infantes seus filhos.

Tambem o papel nos diz que tendo o soberano farejado o namorico da sobrinha com o Principe herdeiro, o que contrariava os seus projectos, decidira que ella casasse com o Conde de Alcoutim, como o pae d’este reclamara cinco annos antes.

O outro documento é uma carta de 20 de Dezembro, de El-Rei D. Manoel, em resposta a uns apontamentos que o Duque de Bragança lhe mandára sobre o caso.

Esses apontamentos, pelo que se deduz da carta de El-Rei, seriam uma contradicta a algumas affirmações acerca da sobrinha, exposta por D. Manoel.

É lamentavel não haver conhecimento d’esses apontamentos, pois nos elucidariam sobre os obstaculos (pejos lhe chama D. Manoel) antepostos pelo Duque ás resoluções do monarcha. Ao que se vê o Duque persistia na sua reclamação, e, por isso, El-Rei empraza-o a encontrarem-se em Lisboa no mez de Janeiro afim de, pessoalmente, lhe expôr as razões que o tinham movido.