Tinham-lhe dicto que um seu primo a pretendera. Mas esse estava em Ceuta, entregue ao commando militar e talvez desinteressado. Tinham-lhe tambem affirmado que D. Jayme a desejava para seu filho. Mas este era uma creança. Finalmente todos lhe diziam que o proprio Rei a destinava a um dos seus.
Que espanta pois, que ella, aceitando este alvitre, se inclinasse para aquelle que pela sua edade, pela aureola que o cercava, pela convivencia entre os dois, mais se adjectivava ao seu sentir? O Principe D. João!
Seria atrevida a ambição?
Mas a Rainha D. Leonor não era filha de Rei.
Tambem não o fôra D. Ignez de Castro. E, arrepiando mais na historia, lembrar-se-hia de D. Leonor Telles, e da mulher de D. Sancho II—D. Mecia Lopes de Haro, que era filha do Cabeça Brava; recordando-se tambem de D. Mathilde de Bolonha, que casara com o que havia de ser D. Affonso III.
Então?
Não era ella sobrinha de El-Rei D. Manoel? Não a tratava elle como futura nóra?
Mas este é que decidira de outro modo, quando ao filho remetteu o cartão, manifestando a sua vontade de que mudasse de ideias.
E o filho, o Principe D. João, que Luciano Cordeiro quer fazer-nos suppôr apaixonado pela Prima, não se achava tão absorvido pelo «amoroso enlevo» que não fosse, interpretando a seu modo a ordem paterna, cultivar a intimidade d’uma certa Izabel Moniz, cuvilheira da Rainha, e filha do alcaide Carrança, de quem teve um filho.
Já esquecera a novia de verano.