Phantasias, ambições, sonhos de grandeza, chimeras côr de rosa, e todos os elementos com que na alma feminina se compõe a imagem da Felicidade, tinham fermentado salutarmente no seu animo.

O passado não fôra a fallencia de uma vida, porque o devaneio interrompido não causára a derrocada irremediavel da sua existencia.

Fôra apenas uma miragem entrevista e logo desfeita, como as nuvens da primavera; uma illusão de optica sentimental, que a sua vista firme agora rectificava.

E o futuro Marquez de Villa Real não era apenas um premio de consolação na loteria matrimonial, nem um marido complacente destinado a aposentar cabecinhas levianas.

Grande homem de bem, bravo militar, intelligente, elegante e habil cortezão, seduzia com a sua personalidade dominante mais que uma imaginação feminina em busca de ideal.

Não foi por isso constrangida, nem arrastada pelo despeito, que D. Brites o acceitou.

O proprio Rei D. Manoel no seu escripto diz «tenho sabido que he com deliberada vontade de casar com o Conde d’Acoutym.»

Não foi tambem por obediencia ao Rei, que parecia querer impôr este casamento, nem ao pae que tanto o desejava, que o Conde a tomou por mulher.

Casou porque n’ella conheceu qualidades que a tomavam digna de continuar a sua nobre raça, e certamente tambem, seduzido por aquelle poder de encanto, que Damião de Goes celebra quando na sua chronica lhe chama: «uma das formosas e bem dispostas mulheres que em seu tempo houve n’estes reinos.»

As nupcias realisaram-se em 1520, no mesmo anno em que D. Joanna de Mendoça, a outra estrella do firmamento palaciano, se escondia nos Paços solarengos de Villa Viçosa.