Fôra preso o Barão d’Alvito, D. Rodrigo, e mandado para o Castello de Soure.
Por que usaria El-Rei de tanto rigor para com o seu Védor da Fazenda?
Fallava-se n’um caso de amores. Mas o Barão tinha 52 annos, e o seu officio imprimira-lhe um caracter de seriedade, incompativel com aventuras galantes.
Então os mais bem informados mexeriqueiros das rodas paçãs esclareciam: Que não era elle o heroe do novellesco successo, mas sim seu filho, D. João Lobo, o qual aspirando á mão de D. Juliana, a filha da Marqueza de Villa Real, puzera em pratica um expediente, que esperava ser decisivo para o bom exito da sua empreza...
Mas acode aqui de certo, borbulhando na curiosidade do leitor, o desejo de saber quem sejam tão eminentes personagens.
Para lhe evitar o enfado de percorrer calhamaços de linhagistas, chronicas, ou codices de nobiliarchia, apresentar-lh’os-hei de seguida, conforme as boas fontes m’os indicam.
Vejamos primeiro quem seja o encarcerado.
Estes Lobos, de Alvito, enchem a Historia, desde os fins do seculo XV, sendo mencionados ora no desempenho de altos cargos, como os de embaixadores e Escrivães de Puridade; ora nas emprezas guerreiras, batalhando em Castella ou em Africa; ora nos saraus do Paço, compondo rifões, apodos, e cantigas do mal dizer; ora envolvidos em aventuras amorosas; ora luzindo em justas e torneios; ora elles proprios apodados e chasqueados por outros poetas palacianos.
Este D. Rodrigo era filho de D. Diogo, 2.º Barão d’Alvito, que estivera na batalha de Toro, que fôra estimado de D. João II, e que tivera habilidade de escapar á perseguição de que foi victima seu irmão, Fernão da Silveira. Entrou como aventureiro nas justas de Evora, trazendo um leão rompente com esta divisa:
«Con sus forças y my fee
todos mys males dobré.»