Ao dar das nove horas terminou o serão.

Acabavam cedo estas seroadas da Côrte. É que além de ser esse o costume, cumpria n’essa noite ir accommodar o noivo na sua pousada, bem como todos os assistentes, alguns dos quaes tinham vindo de longe e para longe iam, afim de na manhã seguinte, logo ás 8 horas, estarem prestes para se celebrar a missa pontifical, em que o bispo do Funchal devia lançar as bençãos aos Duques de Aveiro. Eram complicadas as fórmulas do Cerimonial Romano.

Foi longo o jantar, e só pela tarde se organizou a cavalgada que havia de levar a nova recem-casada a casa do Duque seu senhor.


Occorre agora perguntar se os echos d’esta rija festa, levados pela indiscreção de algum alviçareiro desastrado, chegariam ao retiro onde a esse tempo se amofinava D. João Lobo, filho do Senhor de Alvito.

Vozes de orgão na capella real, charamellas, sacabuxas, trombetas e atabales da fanfarra de El-Rei, o repicar festivo dos sinos das torres de Almeirim, annunciando as bodas, talvez fossem n’esse Fevereiro luminoso inquietar as vigilias do infeliz namorado.

Elle, no emtanto, tinha em si recursos para reagir contra as perrices do destino.

Não se deixou succumbir.

Tempos depois, já desvanecido o sonho amoroso, casava com D. Leonor Mascarenhas, filha do Capitão de Ginetes de El-Rei, e decorridos trinta annos veiu a rematar heroicamente a sua existencia ao som clangoroso das trombetas de guerra.

Entre estas duas datas a vida correu serena, e talvez feliz nos dois casaes.