Elle dissimulou cortezmente o despeito, mas na despedida disse-lhe sorrindo: «Advirta Vossa Excellencia (e sublinhava o tratamento) que cada um dá o que tem comsigo».
Ora, nesse tempo, só a casa de Bragança tinha «Excellencias» de juro.
Era a duqueza, ao que parece, boa educadora dos filhos, em contrario do Duque, o qual tinha com elles taes complacencias que levaram alguem a dizer:
«O Duque não é pae, é irmão mais velho de seus filhos.»
Educados com rigor ou sem elle, os Duques modelaram-lhes as almas com tão preciosa argilla que todos foram notaveis, e o mais velho, o Segundo Duque de Aveiro, escreveu com lettras de sangue uma das mais bellas paginas da lamentosa epopêa.
EPILOGO
1578! Junho arde. O ar escalda. No ambiente passam ondas de um fluido subtil que agita as multidões.
Lisboa nervosa, Lisboa quasi festiva, Lisboa em alvoroço, vibra n’um grande movimento de almas.
O Rei vae partir! Portugal quasi todo o acompanha, e todo o segue com os corações anciosos.