E morreu como um bravo!

O Duque, esse, fogoso, ardente, indomavel era a melhor ilharga do Rei.

Logo a 2 de Agosto, dois dias antes da batalha foi por D. Sebastião enviado a reconhecer o inimigo levando o Guião real. Arriscada era a missão e por isso tanto mais a apreciou. Foi o primeiro que encarou com os mouros.

Horas depois mettia-se com o seu batalhão no mais acceso da refrega.

A sua acção pessoal, nas trez avançadas que praticou, e em que «obrou milagres de valor» é das mais bellas estrophes d’esse poema de perdição.

Na investida tremenda e furiosa que Dom Sebastião deu com o melhor da nobreza para livrar a artilharia, o Duque de Aveiro retalhado de golpes, pereceu gloriosamente. Pouco depois D. João de Portugal que assistira á mortandade dirigia-se a D. Sebastião exclamando:

«Só nos resta morrer!»

«Morrer, sim», murmurou com melancholica tenacidade o Rei, «morrer sim, mas devagar!»

Era como um dobre funebre acompanhando o anniquilamento d’essa geração que, se teve culpas, loucuras, leviandades e devaneios, resgatou tudo com sublime heroicidade.

DESCULPA DE UNS AMORES