(falta uma folha).
CAPITULO XLIII
Da caça dos ratos, das formigas e das lagartixas.
Ha outra caçada de um verme, tão divertida e agradavel como as precedentes, é a dos ratos domesticos e selvagens.
Não comem os domesticos, ao menos que eu saiba, porem caçam-nos cruelmente; porque si entra um rato em qualquer casa, reunem-se todos os habitantes, uns com arcos, e outros com flechas e paus, e com o auxilio tambem de alguns cães não escapa o pobre rato.
Depois de morto é espetado na ponta de uma vara, fincada no meio da aldeia, para servir de alvo ao exercicio das flexas dos meninos.
As aldeias mais proximas dos portos, onde chegam navios, tem mais ratos, porque apenas sentem a terra, atiram-se as ondas, nadam, trocando assim o seo paiz natal, que é o mar, para ficar n’um paiz mais firme e seguro, que é a terra.
Comem os ratos selvagens, que vivem nos bosques e no dizer d’elles é comida deliciosa.
Caçam-nos assim: cavam um buraco no meio de um certo lugar no matto, fazem varias entradas, similhantes ás coelheiras, ou terreiros de coelhos: reunem-se depois muitos sujeitos, armados de paus, e vão fazer grande alarido ao redor d’esse fosso, como se costuma fazer nas caçadas dos lobos.