Batem as mattas, e d’ellas fazem sahir os ratos, e elles fugindo, e encontrando esses buracos tão proprios para se occultarem, ahi entram, e então aproximando-se os selvagens, toma cada um conta do seo buraco, e entrando outros dentro do fosso, á cacete matam os ratos, dividem-nos igualmente, e regressam para a aldeia trazendo cada um o que lhe tocou.
Assam os ratos ao fumeiro ou sobre carvões, abrem-nos por diante sem lhes tirar a pelle, a qual fazem tostar depois que o animal está cozido por dentro, para não perder a gordura, e depois os guardam dentro de uma porção de farinha.
São estes ratos assim preparados, guardadas as proporções, mais apreciados do que os javalys e os viados, e as vezes trazem os selvagens quantidade incrivel d’elles.
Caçam as formigas em tempo de chuva, por ser a epocha propria d’ellas mudarem de habitação.
As que podem vôar buscam a região do ar, deixando suas casas, feitas e cavadas na terra.
As outras, si por instincto natural desconfiam, que podem as agoas invadir suas grutas, e estragar seos armazens, celleiros, ou dispensa, pegam na bagagem, com ordem digna de ser mencionada, e auxiliadas com a experiencia, como vou contar para servir de modello a todas as outras.
Na nossa casa de S. Francisco, no principio das chuvas um milhar de milhões de formigas sahio de uma caverna, perto d’ahi, e veio tomar posse de um canto do meo quarto, onde cavou camaras, ante-camaras e celleiros.
N’uma bella manhã sahiram todas, e trouxeram um alqueire, talvez, de ovos, indo em diversas estações, isto é, em distancia de 2 passos uma da outra.
Cada acervo trazia suas formigas em ordem, vindo descarregar cada uma o que trazia no montão proximo, e assim iam fazendo os outros acervos ou companhias.