Admirei-me de vêr tantas formigas, e tantos ovos, que deitavam mau cheiro.

Mandei fazer bom fogo, e atirar sobre estes ovos, e no caminho por onde passavam estes animaes.

Puzeram-se em alarme, e cada uma buscou salvar os ovos que poude, como fez Eneas á Anchises, seo pae na destruição de Troya.

Não fui tão bem succedido, porque regressaram ao lugar que haviam escolhido, não pensando talvez, que me incommodassem, o que assim não aconteceo, porque reunindo-se todas por espaço de 2 dias, deliberaram ir a pilhagem fóra do quarto, mostrando-se contentes com a habitação, que bem a meo pesar lhes dei.

Causar-vos-hia satisfação vendo estes animaesinhos, desde o amanhecer até ao anoitecer, fazer suas provisões, que são as folhas de uma certa arvore, em cujos ramos, como presenciei, estavam muitas para cortal-as e deixal-as cahir em terra, onde cada formiga pegava no que podia e levava para os armazens.

Tinham aberto dois caminhos, muito bons para o seo tamanho: por um iam as carregadas, e por outro as desembaraçadas, evitando assim a confusão e a mistura, embora fossem mais de quatrocentas as carregadeiras. O mesmo fazem as outras especies de formigas.

É para admirar-se tambem a especie de abobadas, que com admiravel industria fazem quando querem caminhar abrigadas.

Caçam os selvagens somente as formigas grossas como o dedo pollegar, para o que aballa-se uma aldeia inteira de homens, mulheres, rapazes e raparigas.

A primeira vez que vi esta caçada, não sabia o que era, e nem onde hia tão apressada tanta gente deixando suas casas para correr após as formigas voadoras, as quaes agarram mettem-nas n’uma cabaça, tiram-lhes as azas para frital-as e comel-as.