Não perderei tempo referindo o que se sabe acerca da naturesa d’este verme, e apenas contarei o que achei de curioso e especial nas formigas do Maranhão, e antes de entrar na materia fallarei d’uma especie do tamanho de um punho de braço, e as vezes até maior.

Encontram-se ordinariamente no tronco das arvores, proximas ás casas, nas estacas, nos cantos, caminham pouco, não tem teias, muito venenosas, vermelhas quasi da côr de borrachos quando sahem do ovo, coisa horrivel e feia!

Fogem d’ellas os Indios, e julgam mortifera a sua picada. Nutrem-se da corrupção do ar.

Existem outras de diversas especies, maiores e menores, e todas domesticadas, e nos mattos encontram-se grandes, menores, e pequenas.

Em todo o tempo produzem e especialmente no inverno.

Com a frescura da noite juntam-se: deixa o macho a sua teia para se unir com o seo fio á teia da femea, si ella está collocada em lugar mais baixo: si porem a teia da femea é superior á do macho desce ella, vem procural-o, e assim si juntam.

É muito facil de vêr-se, pois o praticam todos os dias, no fim da tarde.

O macho é pequeno, e a femea é tres vezes maior do que elle.

Fazem uma pequena bolça, redonda e chata, muito bem feita e tecida, parecendo-se com setim branco e a similhança de um breve de Agnus Dei.