N’ella deixam apenas um buraquinho, por onde com o pé introduzem os ovos.

Quando está fechada a bolça tapam o buraquinho, e carregam-na junto ao ventre e estomago, aquecendo-a por esta fórma, e quando presentem estar os filhos em estado de sahir, rasgam a bolça ao redor, como se faz com a casca da fava, sahem logo, correm pela teia da mãe, e a noite agasalham-se debaixo da mãe, como fazem os pintos com as gallinhas afim de resguardarem-se do frio da noite.

Quando tem forças, cada uma faz a sua teia, e por sua industria cuida de si.

Ha outras, que fazem pequenos pucaros de barro, do tamanho e feitio de uma ameixa de dama, tão bem feitos, quanto é possivel, por dentro e por fóra, o que tambem fazem certas especies de moscas, de que ainda fallarei.

São as boccas d’estes potes proporcionaes aos seos tamanhos, com um buraco tão pequeno, em que cabe apenas um alfinete, por onde sahem os ovos para serem aquecidos pelo Sol.

Este pucaro costuma estar junto a uma arvore, ou n’uma folha de palmeira, e a terra de que é feito, muito se parece com a de Beauvais.

Enchem o pucaro de ovos, tapam no, e quando as mães julgam ja terem os filhos sahido da casca, destapam o buraco, e então sahem as aranhasinhas e acompanham-nas.

As aranhas dos mattos procedem de outro modo: roem as amendoas das nozes das palmeiras espinhosas, pouco a pouco e deitam fora tudo por meio de tres buracos naturaes, que tem estes fructos: depois ahi dentro fazem seus ninhos e depositam seos ovos.

São differentes as teias destas aranhas quanto a sua posição por ellas escolhidas.

As domesticadas armam suas teias nas rachas e entradas dos buracos, afim de agarrarem moscas e mosquitos.