Já tinha lido no cantico primeiro, que entre os ornamentos dados por Jesus Christo á sua Igreja, a mansidão e a clemencia para com os peccadores e infieis era um dos primeiros deveres conforme estas palavras: Murenulas aureas faciemus tibi vermiculatus argento «nós te faremos collares de oiro, torcidos como pequenas lampreias, esmaltadas de fios de prata em forma de vermesinho para mais fazer realçar a bellesa do oiro.»
Dizem os Septenta—Simulachra auri faciemus tibi, cum vermiculacionibus argenti; «nós te faremos pequenas estatuas de oiro fino, esmaltadas de fio de prata do feitio de vermesinhos.»
Accrescenta Rabbi Jonathas que taes eram as taboas de Saphira, em que estavam gravados os mandamentos da lei de Deos porque a luz da gloria do Doador dava á saphyra diaphana a côr de oiro, e a escripta gravada em linha pelo dedo de Deos formava o esmalte em pequenas lampreias ou vermes da terra.
Quem não diria que ha intelligencia entre estas ceremonias divinas e as dos Athenienses e Gaulezes, visto significar-nos umas e outras, por meio de estatuas e cadeias de oiro, a força e o poder da doçura para subjugar as almas mais barbaras á obediencia das leis de Deos.
Não é sem rasão, que Jesus Christo ornou os collares de oiro de sua esposa com figuras de vermes da terra, e de pequenas lampreias, visto que elle mesmo se fez verme para chamar a si os vermes, e misturou-se com a terra para se juntar com os vermes, que ahi achasse.
Assim como as lampreias não repellem as serpentes por que podem causar medo com o veneno, que estas vomitarem, assim tambem Jesus Christo não despresa os homens, pobres serpentes, comtanto que estes se despojem do seo veneno.
Si o Mestre fez isto, o que devem fazer os obscuros discipulos de Sua Magestade?
Quem se offerece a servir a Deos na conversão dos selvagens deve modelar suas palavras e acções pela doçura, de que sempre usou Jesus Christo na terra.
Eram estes os artigos de nossas conferencias com os selvagens.
1. Procuravamos convencel-os, que eramos seos amigos, e amigos fieis, mais que seos paes, mães, e outros parentes, dizendo-lhes estas e outras palavras pera-uçu, pare koroyco «somos vossos amigos, vossos intimos.»