Tendo nas mãos um ou dois maracás, que é um fructo grande, de forma oval, similhante ao ovo de abestruz, e da grossura de uma abobora, mais agradavel á vista do que ao paladar, pelo que ninguem o come, fazem com elles muitos mysterios e superstições tão extravagantes como incriveis. Cavam o fructo, enchem-no de milho graudo, amarram-no a ponta de uma haste, enfeitam-no com pennas e enterrando a outra ponta, fica ella em pé. Cada casa tem um ou dois Maracás, que respeitam como si fosse Tupan, trazendo-o sempre na mão, quando dançam e fazendo chocalhar.

Pensam que é Tupan que lhes falla (Manuscripto de André Thevet, conservado na Bibliotheca Imperial de Pariz.)

Hans Staden e Lery, Roulox Baro escreveram largas paginas a respeito do Maracá, e o proprio Malherbe falla dos que ouvio em Paris por occasião do baptismo de tres indios sendo padrinho Luiz XIII.

Chegando a Pariz, e residindo no Convento dos seos protectores, os indios revestidos dos seos bellos adornos, e com o maracá em punho, excitaram muito enthusiasmo, a ponto de haver muita paixão pela sua dança e pela sua propria musica.

Seria muito curioso si hoje se achasse a Sarabanda composta em honra d’elles pelo famoso Gauthier. Malherbe escreveo ao celebre Peirese dizendo tel-a mandado á Marco Antonio «como excellente peça digna de ouvir-se» (Vide Correspondance, pag. 285, antiga edicção.)

Ainda, passadas 12 paginas Malherbe tratou da musica então em voga, e do seo auctor, dizendo «ser Gauthier considerado o primeiro no officio, ignorando porem si sahira bem, e si o gosto da Provincia se conformará com o da Côrte.»

Não se contentaram somente de proporcionar aos pobres selvagens distracções ligeiras, pois procuraram obrigal-os a residir em França.

Diz o poeta pag. 275 «os Capuchinhos, para obsequiarem completamente estes pobres selvagens, resolveram algumas beatas a casarem-se com elles, e ja deram começo a excursão d’este plano.»

Emquanto porem eram bem acolhidos os guerreiros do Maranhão, suas mulheres não gozavam iguaes favores.