Aguardava-o ali com impaciencia um magro personagem de vestes sacerdotaes e de phisionomia carcomida pela sarna dos annos.
—Então que boas novas me trazes tu? perguntou elle sentado em pobre tamborete de carvalho e desviando os olhos de um livro escrito na lingua latina.
—Não me parecem tão alegres como desejava, regougou o recemchegado.
—Bem mau é isso. Mas conta depressa o que aconteceu, meu Jacobo.
—Pois saiba... saiba vossa senhoria illustrissima que tudo se frustrou por artes do diabo.
—Jacobo, fallas a serio porventura? com preoccupação interrogou o padre.
—Com verdadeira magoa o digo; mas é verdade.
—O que tambem é verdade é que sois todos uns covardes...
—Tudo menos isso, meu senhor. Era elle que vestia a pelle do diabo! A não ser assim,[{37}] eu por Deus que soubera responder pelo ferro do meu punhal!
—Sempre usaes do mesmo ripanso. Todos vos credes uns fanfarrões e uns Hercules; mas porfim de contas, se é mister que se mostre valentia ou governe com prudencia, sois deveras mais pecos e villãos do que um asno.