—Basta, basta! São de fogo as tuas palavras. Sinto que me requeimam as entranhas, pagem!

N'este comenos entrou Francisco Lopes a satisfaser a sua visita ordinaria.

O medico aproximou-se do principe, ausculta-lhe o peito com a maior observação e em seguida com todo o cuidado lhe tatea o pulso.

Não proferiu um monosyllabo e jámais denunciou pelas impressões do rosto ou por outros quaesquer signaes exteriores a gravidade ou as melhoras do enfermo.

Sempre com a mesma austeridade aproximou-se[{161}] de um dos angulos da alcova, recurvou-se de vagar sobre uma elegante mesa de jacarandá, serviu-se de uma penna de pato collocada ao longo de um precioso tinteiro de prata e com rapidez formula em meia folha de papel o recipe do costume.

Em seguida o medico ergueu com dous dedos a receita, baixou com gesto comprimentador a cabeça em direcção do leito e logo com inalteravel silencio transpoz os umbraes da porta.

No centro da sala contigua esperava-o uma pessoa vestida completamente de roupas negras que ninguem mais era senão o jesuita Simão Rodrigues.

A meia voz segredou-lhe o medico:

—Está moribundo. Está sem vida. Morre antes de meia hora.

O jesuita laconicamente accrescentou: