Esperámos; mas retraindo a voz, e com uma intonação demorada, como quem dicta:
—A verdade, prosseguiu, é esta: encontrei hoje de tarde um homem desconhecido, que me deu uma chave e me disse: sei que é Fulano, que é destemido, vá a tal rua, n.º tantos…
Eu tive um movimento avido, curioso, interrogador. Ia emfim saber onde estava!
Mas o mascarado com um movimento impetuoso pôz-lhe a mão aberta sobre a bocca, comprimindo-lhe as faces, e com uma voz surda e terrível:
—Se diz onde estamos, mato-o.
O homem fitou-nos: comprehendeu evidentemente que eu tambem estava ali, sem saber onde, por um mysterio, que os motivos da nossa presença eram tambem suspeitos, e que por consequencia não eramos empregados da policia. Esteve um momento calado e accrescentou:
—Meus senhores, esse homem fui eu que o matei, que querem mais? Que fazem aqui?
—Está preso, gritou o mascarado. Vá chamar os outros, doutor. É o assassino.
—Esperem, esperem, gritou elle, não comprehendo! Quem são os senhores?
Suppuz que eram da policia… São talvez… disfarçam para me
surprehender! Eu não conheço aquelle homem, nunca o vi. Deixem-me sair…
Que desgraça!
—Este miseravel ha de fallar, elle tem o segredo! bradava o mascarado.