Margaride, abespinhado, franziu as sobrancelhas temerosas e mais negras que o ebano:

—Ninguem n'esta sala, melhor que eu, snr. padre Negrão, saboreia o grandioso!

E a titi, insaciavel, batendo com o leque:

—Está bem, está bem… Conta, filho, não te fartes! Olha, conta assim uma coisa que te acontecesse com Nosso Senhor, que nos faça ternura…

Todos emmudeceram, reverentes. Eu então disse a marcha para Jerusalem com duas estrellas na frente a guiar-nos, como acontece sempre aos peregrinos mais finos e de boa familia: as lagrimas que derramára, ao avistar, n'uma manhã de chuva, as muralhas de Jerusalem: e na minha visita ao Santo Sepulchro, de casaca, com padre Potte, as palavras que balbuciára diante do Tumulo, por entre soluços e no meio d'acolytos—«Oh meu Jesus, oh meu Senhor, aqui estou, aqui venho da parte da titi!…»

E a medonha senhora, suffocada:

—Que ternura que faz!… Diante do tumulosinho!…

Então passei o lenço pela face excitada, e disse:

—N'essa noite recolhi ao hotel para rezar… E agora, meus senhores, ha aqui um pontosinho desagradavel…

E contritamente confessei que, forçado pela Religião, pelo nome honrado de Raposo, e pela dignidade de Portugal—tivera um conflicto no hotel com um grande inglez de barbas.