Encontrei João, conversando no atrio lageado com um homem da milicia sacerdotal. Chamei-o para uma longa galeria escura, vagamente estrellada de lampadas.
—João—disse eu—dize o que vem fazer a Jerusalem o sabio de Nazareth?
João olhou-me:
—Vem á festa da Paschoa—disse elle, lento.
—João—insisti—pelo Messias, e pela liberdade do Baptista, prisioneiro d'Antipas, dize-me a que vem Jesus, a Jerusalem e ao templo?
—Prégar—disse João.
Comprehendi, rapidamente, todos os resultados d'aquella lucta original.
—Vae!—lhe disse eu exaltado—dize-lhe que parta, que volte para o lago de Tiberiade! Que viva nas suas montanhas, com o seu Deus, com os que o amam, socegado, no repouso dos campos. Que vá, que evite as portas de Jerusalem! Dize-lhe que não venha nunca encostar-se como propheta á columna do templo! Que volte para a Galilea, que se lembre das pedras que estão á Porta Esterquilinaria e que são para lapidar os prophetas!
João tinha o espanto nos olhos, na voz.
—Eliziel! Eliziel!