Uma larga risada sacudia os peitos. Bradavam:
—Contae, contae!
Enchiam as amphoras; arrepelavam os escravos. De bruços, sobre a mesa, com a cabeça appoiada nos braços, esperavam voltados para Publius, com olhos perturbados. Os velhos abriam largamente uma bocca escura, sem dentes. Os olhos reluziam. Havia gritos. Um escriba da arca do thesoiro gaguejava uma cantiga siciliana, com voz aspera, arrastada. O circulo de cabeças avidas, duras, curiosas, destacava violentamente no escuro. Publius exclamava, com palavras tumultuosas: tinha a tunica clara manchada de vinho; tinha os braços nús, brancos, femininos: e com largos gestos:
—E Tucia! e Tucia!—gritava—Eu vi-a um dia no theatro, quando o actor Bactylo fazia com toda a sorte de lascivias o papel de Leda, torcer-se no seu logar, arrancar a rêde dos seus seios, e com os olhos mortalmente languidos chamar a altas vozes:—Bactylo, Bactylo, vem!
Largas risadas. Alguns gritavam, imitando o romano:—Bactylo, Bactylo!
Os velhos torciam-se nos seus triclinios, tomados de riso, de escandalo. Alguns escribas gritavam:—Viva Roma! Os phariseus tinham olhos terriveis, e uma attenção avida. Um cortava violentamente o pau do estrado, mordendo os labios!
Publius pedia falerno, folhas de louro, insultava a indolencia dos escravos, queria lançar fogo ao velarium, e dizia:
—Quem conhece Cessenia? Ninguem conhece Cessenia? Cessenia tinha de dote seis milhões de sestercios. Casou com Sertorius, o pobre, com a condição de poder escrever deante do marido os bilhetes aos amantes, o poder ir deitar-se uma vez cada mez, para quem entrar, no leito alugado de um lupanar do Suburra!
Os escribas riam, esvasiavam as taças, desafogavam o pescoço das tunicas pesadas, lançavam para longe as folhas de metal presas á cintura, onde está escripta a lei. Um, ebrio, com os olhos riscados do sangue, pedia o culto de Baal.
Alguns sacerdotes tinham adormecido sobre os triclinios, curvados, enroscados, immoveis. Os phariseus torciam os braços, fallavam de Tyro.