Publius clamava:

—Pois que ha de melhor que vêr uma patricia, de longo penteado e saia curta, depois de estar cheia d'ostras e lagostas irritantes, beber de um trago n'uma enorme taça o falerno consular, e vir, resvalando sobre o mosaico humido de vinho, caír sobre o nosso peito, gritando em grego: minha alma, minha vida, ai!

E Publius arqueava lascivamente os braços, deixando pender a cabeça, a garganta tumida de suspiros, arquejando!

Os escribas, os phariseus estavam cheios de delirio e de vinho. Riam animalmente. Soltavam grandes gritos. Alguns rolavam-se no chão: mordiam as almofadas dos triclinios. Derramavam o vinho sobre os vestidos, abraçavam os escravos, quebravam as taças exaltados. Um jogava a lucta com uma arvore, depois envolvia-a, beijava-a. Cantavam em grande voz os cantos do tempo de Salomão, dando-lhe expressões lascivas. Feriam a cabeça contra os grandes jarros cinzelados. Corriam, inflammados, como n'um mysterio sagrado. Alguns gabavam-se de devassidões occultas. Fallavam de dinheiro, de banquetes, de mulheres, de prostituições sagradas no fundo dos bosques!

Publius gritava:

—Não sabeis, phariseus, não sabeis a aventura de Lentullus?

—Não, não!—bradavam alguns penetrados da alegria, do escandalo, de curiosidades inflammadas!

—Lentullus casa com uma virgem patricia, neta de consules: nove mezes depois prepara, segundo o costume, para o filho que vae nascer, o berço de tartaruga, coberto de estofos e de ramos de loureiro, e expõe-no ás boas palavras dos que passam. Mas toda a nobreza da via Appia rompe em risadas. O filho de Lentullus era a imagem viva do bufão Eurialo, e tinha, como elle, trez verrugas no queixo.

A risada fazia o ar sonoro. Publius de pé, manchado, com a tunica rôta, descomposto, gritava:

—Ouvi, ouvi!