—Eu tenho aqui esta debilidade: onde está a tua força?
—Alli!—respondeu Jusel, mostrando Christo na varanda das plantas e das pombas, allumiado pelo sol que descia, branco entre a folhagem, agonisante entre as palpitações das azas.
—Ah!—disse cavamente o homem da flôr de cactus.—A mim, Rabil! Lembras-te de Acteon, de Apollo, de Derceto, de Inachus e de Marte?
—Eram os meus irmãos...—disse lentamente o pagem, hirto como uma figura de pedra.
—Pois bem, Rabil, para a frente, atravez da noite! Cheira-me aqui ás terras de Jerusalem!
E sumiram-se debaixo das arcarias e das pilastras, sinistros, soluçando.
Na noite seguinte, havia pela Allemanha um grande luar purificador. Maria estava debruçada na varanda. Era a hora celeste em que os jasmins concebem. Em baixo, o olhar de Jusel, que estava encostado ao pilar, suspirava para aquelle corpo feminino e branco, como nos jardins a agua, que sobe em repuxo, suspira murmurosamente para o azul.
Maria disse suspiradamente:
—Vem.
Jusel subiu á varanda, radioso. Sentaram-se ao pé da imagem. O ar estava tão sereno como na patria das almas. Os dois corpos dobravam-se, um para o outro, como se os estivessem approximando os braços d'um Deus.