Em italiano foi depois vertida, por Annibal Briganti, a traducção de Clusius, publicando-se, desde 1576 a 1605, oito edições.
Ha finalmente mais duas edições de uma traducção franceza de Clusius, por Antonio Collin, com as datas de 1602 e 1619.
Total: 1 edição portugueza, e 15 edições extrangeiras de imperfeitas traducções.
Em 1841 a Sociedade de Sciencias Medicas chamava para o assumpto a attenção dos poderes publicos, pedindo a reimpressão dos Colloquios, de cuja primeira edição eram já preciosamente raros os subsistentes exemplares, e recorria á intervenção de Fr. Francisco de S. Luiz e de Garrett. Ambos fizeram á idéa o melhor acolhimento, e por portaria de 27 de maio de 1841, assignada por Rodrigo da Fonseca Magalhães, se determinou a reimpressão dos Colloquios, sob a direcção do conselheiro João Baptista d'Almeida Garrett.
Não teve andamento este tentamen, e é só em 1872 que Varnhagen, visconde de Porto Seguro, nos dá uma 2.ª edição da obra de Garcia da Orta. Para se occupar d'este trabalho era sem duvida competente Varnhagen, mas, ou porque o não pudesse acompanhar, ou por qualquer outro motivo, a nova edição sahiu com bastos erros, uns trazidos da primeira, outros novos, e desacompanhada das necessarias elucidações.
Foi isto, sem duvida, que motivou a deliberação da Academia, encarregando o Conde de Ficalho de levar a cabo uma nova edição dos Colloquios, devidamente apurada e commentada.
A escolha não podia ter sido, a todas os respeitos, mais acertada, pois os dois volumes eruditamente annotados dos Colloquios dos simples e drogas da India, com o antecedente volume que lhes serve de introducção—Garcia da Orta e o seu tempo, ficaram constituindo, no total das suas 1200 paginas, um verdadeiro monumento classico, um trabalho magistralissimo em toda a parte.
Foram as leituras feitas para a confecção do admiravel prefacio historico dos Colloquios que deram mais tarde ao Conde de Ficalho a idéa e lhe propiciaram os fundamentaes elementos para o livro que a esse trabalho se seguiu—as Viagens de Pero da Covilham. De Pedro da Covilham, que á India foi dez annos antes de Vasco da Gama, de cuja empresa foi como que preparante,{13} e que mais de trinta annos passou na mysteriosa Ethiopia, junto do quasi fabuloso Preste João.
«Este pero de covilham, escrevia o P.e Francisco Alvares, é homem que todas as cousas a que o mandaram soube e de todas dá conta».
Ficalho commenta eloquentemente, no fecho do seu bello volume:—«Mandaram-no procurar a pimenta e a canella, quando ninguem nas nossas terras occidentaes sabia d'onde aquellas especiarias vinham; e elle foi, e encontrou o caminho, e chegou á India, e não se contentou em ir á India, foi tambem a Sofála. Mandaram-no ao Preste João, quando ninguem conhecia a sua morada, nem quasi em que parte do mundo tal morada se encontrava; e elle foi, e achou o Preste João, e fez-se amigo da avó do Preste João, e acabou pela convencer que devia mandar uma embaixada a Portugal. Todas as cousas a que o mandaram soube, e de todas deu conta».