Faziam-se os mais singulares comentarios; e na visinhança falava-se animadamente disto. Para podermos apreciar a sensação que aquele ato causou, ouçamos alguma coisa do que se diz.

Estamos no corredor do terceiro andar da mesma casa em que morava Julião.

—Diga-me cá, senhora Francisca. Esteve hontem no enterro protestante?

—Sim, senhora Amalia, estive, e creia que o que diziam do pão e do vinho é mentira.

—Como?

—É o que lhe digo, e, se não se fia em mim, pergunte-o á senhora Vitoria, que foi comigo.

—Filha—disse Vitoria,—o que lhe sei dizer é que aquilo é mais serio do que o que imaginei, e que nada se parece com os nossos enterros. No enterro dos protestantes ha mais caridade do que nos nossos.

—Pode muito bem ser—replicou Amalia—que os padres falem mal dessa religião porque não lhes convenha que ela se estabeleça entre nós.

—Senhoras—disse Vitoria,—proponho que vamos á egreja protestante para vermos o que aquilo é.