—Nós não temos nada com o que S. Paulo disse ou deixou de dizer; os bons catolicos devem guiar-se por aquilo que a egreja estabeleceu, e seguirem o conselho dos seus confessores. A missa é o sacrificio de Cristo na cruz, e os fieis podem, lá no seu intimo, aplical-a a este ou áquele fim.

—Senhora condessa, V. Ex.ª está num lamentavel erro. O sacrificio de Cristo não se pode repetir.

—Não trato agora dessas questões, e o que desejo é que me diga claramente: é catolico ou protestante? crê na Virgem? crê no Papa?

—Creio em Jesus Cristo, e só nele confio; se isto é ser protestante, então sou-o, de facto.

—Ouves, conde?

—Ouço—respondeu este, e acrescentou:—De hoje em deante não quero mais negocios comsigo, sr. Julião. Queira retirar-se, para não mais pôr os pés nesta casa.

—Senhor conde, estou persuadido de que cumpri sempre com a minha obrigação, e, se o ser cristão obsta a que eu entre em sua casa, não me convem de fórma alguma estar aqui. Logo que terminar o trabalho que tenho entre mãos, deixará de os incomodar a minha presença.

—Não, não—exclamou a condessa;—retire-se quanto antes.

—Mas é que, minha senhora, dispendi em aviamentos para a restauração desta sala uma quantia para mim bastante elevada, e se não concluo a obra sofro um grande prejuizo.